sábado, 9 de outubro de 2010

PROGRAMA EDIÇÃO Nº 349


1) THE CLASH – LONDON CALLING
2) SEX PISTOLS – GOD SAVE THE QUEEN
3) FORGOTTEN BOYS – CINCO MENTIRAS
4) IDENTIDADE – DANCE
5) DISSONANTES – AMOR RETRÔ
6) FOO FIGHTERS – TIMES LIKE THESE
7) FRANZ FERDINAND – TAKE ME OUT

8) RAGE AGAINST THE MACHINE – KILLING IN THE NAME
9) RAGE AGAINST THE MACHINE – TESTIFY
10) MATANZA – O CHAMADO DO BAR (AO VIVO)
11) TEQUILA BABY – SEXO PÁSSAROS E ROCK & ROLL)
12) THE FEITOS – EU PERDI O AMOR PELOS MEUS DENTES
13) GOSSIP – LOVE LONG DISTANCE

14) KINGS OF LEON – RADIOACTIVE
15) ARCADE FIRE – MODERN MAN
16) VANGUART – ENQUANTO ISSO NA LANCHONETE
17) LOS HERMANOS – O VENTO
18) TERMINAL GUADALUPE – PERNAMBUCO CHOROU
19) BELLE AND SEBASTIAN – COME ON SISTER
20) BRANDON FLOWERS – CROSSFIRE

21) PARAFERNÁLIAS – CADILLAC
22) THE CROOKED VULTURES – BANDOLIERS
23) LED ZEPPELIN – ALL OF MY LOVE
24) CASA DAS MÁQUINAS - VOU MORAR NO AR
25) SUPERGUIDIS – NOVA COMPLETA
26) NIRVANA – SEASONS IN THE SUN

Liverpool celebra os 70 anos do mito John Lennon


Por CARMEN DE ÁGUEDA

Nada mais justo que Liverpool preparar uma série de homenagens especiais a John Lennon no dia em que os fãs celebram os 70 anos de nascimento do ídolo.

Um show beneficente, conversas com aqueles que conheceram o músico e uma festa de aniversário no emblemático Cavern Club são algumas das atividades que a cidade natal do ex-beatle pretende para celebrar a data.

Em 9 de outubro de 1940, Liverpool via nascer uma das mais notáveis e rebeldes personalidades locais, John Winston Lennon --o nome do meio em homenagem ao estadista Winston Churchill.

Locomotiva dos Beatles, Lennon levou sua genialidade poética e política a revolucionar a cena musical dos anos 1960 e 1970, apoiando-se em composições como "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love". E ídolo daria lugar ao mito quando, em 8 de dezembro de 1980, levou cinco tiros do fã Mark David Chapman ao chegar em casa, em Nova York.

As homenagens se sucedem pelo mundo em 2010. Neste ano redondo, quando são lembrados os 70 anos de Lennon, três décadas de sua morte, meio século da formação dos Beatles e 40 anos do fim da banda, Liverpool anda agitada e busca mostrar o que só essa cidade conhece: as origens de um dos mais brilhantes músicos do século 20.

As celebrações começam neste sábado no Cavern Club, com uma festa de aniversário para a qual os ingressos já esgotaram.

Nesse bar, entre 1961 e 1963, os Beatles fizeram cerca de 300 shows nos quais começaram a dar fama a canções como "She Loves You". Foi lá onde conheceram Brian Epstein, o cérebro empresarial da banda.

Um mês antes de viajar aos Estados Unidos pela primeira vez, em agosto de 1963, os Beatles se apresentaram pela última vez no lendário pub com a promessa de retornar algum dia.

A fama os impediu de voltar a esse palco, mas a escultura de um jovem Lennon na entrada do clube lembra que os Beatles nunca chegaram a abandonar totalmente Liverpool.

Antes de se tornar um beatle, Lennon iniciou seus estudos de belas artes em 1957, na escola de arte e desenho da cidade, a atual Universidade John Moores, que nas próximas semanas receberá uma série de exposições com obras do artista.

Lá será enterrada uma das três cápsulas do tempo com gravações do músico, desenhos e algumas lembranças, destinadas a preservar o legado do ex-beatle para as próximas gerações ou, pelo menos, até sua abertura, prevista para 2040, no centenário do músico.

As celebrações do aniversário de Lennon contarão também com a presença de Cynthia Powell, primeira esposa do cantor, e de Julian, filho de ambos. Os dois vão inaugurar o monumento Peace & Harmony, uma escultura do artista Lyle London.

Julian e Cynthia, da qual Lennon se separou em 1968 após iniciar seu romance com Yoko Ono, organizaram a exposição "White Feather: The Spirit of John Lennon", com objetos que, segundo o próprio Julian, "repassam a íntima e emotiva história da família".

Os lugares que marcaram a infância e adolescência de Lennon, como o colégio onde estudou e a casa onde foi criado pela tia Mary "Mimi" Smith, que tomou conta do garoto John quando ele tinha cinco anos, poderão ser visitados nos próximos dois meses.

Conferências de familiares e amigos do ex-beatle, um festival de cinema e um sarau de poesia completam o programa de atividades em homenagem a Lennon, que serão encerradas com um grande show.

Ainda não se confirmou quais artistas participarão do tributo musical que acontecerá no Echo Arena de Liverpool, onde são esperadas mais de 11 mil pessoas, mas os organizadores já estimam que "Lennon Remembered" será "uma noite emotiva e inesquecível" para os fãs do músico.

O show ocorrerá no dia 9 de dezembro, data em que se completam 30 anos e um dia do fatídico tiroteio que acabou com a vida de Lennon quando o artista voltara para seu apartamento, no edifício Dakota, em frente ao Central Park em Nova York após conceder entrevista para uma emissora local.

O assassinato ocorreu semanas depois da publicação do disco "Double Fantasy", que significou seu retorno ao panorama musical após um intervalo de cinco anos para criar seu segundo filho, Sean Ono Lennon.

No dia em que morreu, Lennon em Yoko Ono tinham protagonizado uma sessão de fotos a cargo da fotógrafa Annie Leibovitz, quem os retratou em uma cama, com Lennon nu, em posição fetal e abraçado a Yoko. Em 22 de janeiro, a instantânea foi capa da revista "Rolling Stone" e se transformou no símbolo do fim de uma era e do começo de um mito.

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/812400-liverpool-celebra-os-70-anos-do-mito-john-lennon.shtml

Saudade reuniu outra vez o Rage Against The Machine


Por DANILA MOURA

SWU Na ativa desde 1991, o Rage Against The Machine conseguiu mobilizar o público para baixar o hit "Killing in the Name", do primeiro álbum, e manter a música no topo das paradas do Reino Unido, no ano passado, em protesto aos programas pop de calouros.

Os brasileiros poderão sentir o gosto ácido das letras da trupe do vocalista Zack de La Rocha no SWU, além de ouvir os riffs sem sintetizadores de Tom Morello, 46. Em sua primeira vez no Brasil, Morello falou à Folha.

Folha - Qual guitarrista lhe serviu de inspiração?
Tom Morello - Fui influenciado por grupos como Sex Pistols e The Clash. O som deles era poderoso, mas, ao mesmo tempo, acessível. Os meus favoritos ainda são os caras que tocavam quando eu era jovem, como Randy Rhodes (ex-Ozzy Osbourne) e Steve Vai.

Qual guitarrista da atualidade você mais admira?
Eu curto muito o Jack White (White Stripes e Racounters) e o Matthew Bellamy, do Muse.

Você faz muito sucesso no "Guitar Hero", videogame que tem músicas do RATM. Joga?
Não sou muito bom nisso. Várias criancinhas são capazes de me dar uma surra com meu avatar. É um tanto constrangedor! (risos).

A banda já ficou nua em protesto. Hoje, usa o Facebook para mobilizações. Os protestos amenizaram?
Sempre fomos uma banda que lutou contra certas autoridades, seja qual for o papel anterior ou atual do governo. E nossos fãs sempre corresponderam ao fato de sermos uma banda inspirada.

Por que nunca se apresentaram na América do Sul?

Cancelamos diversas viagens à América do Sul por razões adversas. Sempre foi importante cumprirmos a promessa de tocar no Brasil. Não vemos a hora de conhecer nossos fãs daí!

Em 2000, Zack de La Rocha saiu da banda por falta de afinidade. O que mudou?
Ficamos separados por mais de sete anos e voltamos a tocar juntos porque sentimos saudade uns dos outros. Não só musicalmente, mas em relação à amizade.

A banda tem planos de gravar um novo disco?
Não há planos, mas estamos abertos para criar músicas juntos novamente.

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/812199-saudade-reuniu-outra-vez-o-rage-against-the-machine.shtml

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Metallica: novo EP gravado ao vivo no "Grimey"

O Metallica publicou uma nota no site oficial falando sobre o lançamento de mais um EP exclusivo, que estará disponível apenas para 700 varejistas dos EUA.

O EP inclui nove músicas de um show que aconteceu na tarde de 12 de junho de 2008 no porão de uma loja de discos chamada “Grimey” em Nashville, Tennessee, para membros do fã-clube do Metallica e alguns amigos, e faz parte da série “Live At Grimey”.

Esse lançamento vem em forma de CD e em vinil com capa dupla.

Segue a lista completa de faixas do "Live At Grimey”:

01. No Remorse
02. Fuel
03. Harvester of Sorrow
04. Welcome Home (Sanitarium)
05. For Whom the Bell Tolls
06. Master of Puppets
07. Sad But True
08. Motorbreath
09. Seek And Destroy

Google britânico faz homenagem ao aniversário de John Lennon


O Google está fazendo nesta sexta-feira uma homenagem a John Lennon. Se ainda estivesse vivo, o ex-beatle estaria completando 70 anos neste sábado (9).

Em seu endereço britânico, o site de buscas adicionou um desenho do rosto do músico ao seu logo. Ao lado, o logo traz um botão que, quando clicado, torna todo o logo torna animado e toca um trecho da música "Imagine", um dos grandes clássicos da carreira solo de John Lennon.

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/811780-google-britanico-faz-homenagem-ao-aniversario-de-john-lennon.shtml

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Chess e Matador, duas gravadoras que fizeram história


Por KID VINIL

As gravadoras independentes sempre desempenharam um papel importante para o rock. Dois grandes selos são homenageados através de caixas com vários CDs contando um pouco de suas histórias.

A Chess Records, uma gravadora de Chicago, foi pioneira no rock and roll. O registro do primeiro rock gravado foi por esse selo em 1951, com a música “Rocket 88”, de Jackie Brenston e a banda de seu primo Ike Turner (aquele mesmo que mais tarde se casou e formou dupla com Tina Turner). O grupo se chamava The Kings of Rhythm. A gravação foi feita no Sun Studios, que pertencia a Sam Phillips, o mesmo que mais tarde descobriria Elvis Presley.

Esse foi o começo da história do rock, num selo que pertencia a dois judeus, Leonard e Phill Chess. A princípio, os irmãos descobriram os grandes nomes do blues como John Lee Hooker, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Willie Dixon e Sonny Boy Williamson II.

A história continuou com Chuck Berry, que em 1955 – por sugestão de Muddy Waters – foi conversar com Leonard Chess para ver se conseguia gravar em seu selo. Em uma audição, Chuck Berry mostrou uma música chamada “Ida Red” e foi para o estúdio gravá-la. Rebatizada como “Maybellene”, a faixa foi lançada em 1955 e acabou no topo das paradas, sinalizando um futuro brilhante para Chuck Berry e para o rock and roll. Outro pioneiro na Chess Records foi Bo-Diddley, um músico do Mississipi que fez sua primeira gravação também em 1955, com a música “Bo-Didley”, e marcou seu estilo com o famoso som das maracas de Jerome Green.

A Chess Records existiu como gravadora no período de 1947 a 1975 e foi parte integrante da trajetória do blues, do R&B, rock and roll, doo wop, gospel, soul e jazz. Nela, Bo-Didley e Chuck Berry registraram seu maiores clássicos. Etta James – a primeira rainha da soul music – também começou ali, assim como Laura Lee e Irma Thomas. Lançaram clássicos do rock como “Suzie Q”, originalmente gravada por Dale Hawkins em 1957, mais tarde regravada pelos Rolling Stones e pelo Creedence Clearwater Revival. Aliás, os Stones têm na Chess Records sua maior fonte de informações e influências. Se interessar ter em sua estante esse testamento em forma de livro com quatro CDs, procure “A Complete Introduction To Chess” aqui.

Avançando algumas décadas na história do rock encontraremos o selo Matador Records, uma gravadora nova-iorquina que está completando sua maioridade oficial, 21 anos. Para comemorar essa data, a Matador lança uma caixa com seis CDs chamada “Matador at 21”.

Fundado em 1989, por Chris Lombard e Gerard Cosloy, o selo se tornou uma das maiores referências para o indie rock dos anos 90, até os dias de hoje. Seus primeiros contratados foram bandas como o Superchunk, um grupo da Carolina do Norte que ainda está na ativa e acaba de lançar o excelente “Majesty Shrediing”, por um selo chamado Merge Records, que também tem uma trajetória bem parecida com a da Matador. Os grupos que ficaram mais conhecidos durante a década de 90 pela Matador foram sem dúvida o Pavement, John Spencer Blues Explosion e Yo La Tengo.

Por lá, também passaram os cultuados Guided by Voices, Liz Phair e a fabulosa Chan Marshall e seu Cat Power. A Matador serviu de abrigo e plataforma de lançamento de bandas japonesas como Pizzicato Five, Guitar Wolf e Cornelius. No final dos anos 90, ainda lançou nos Estados Unidos a banda britânica Belle & Sebastian.

Gostaria de acrescentar que nesse caso tenho uma história pessoal com a Matador. Em 2000, estava no cargo de gerente internacional da Trama e viajamos eu e mais um outro diretor artístico da gravadora para Nova York, a fim de negociarmos o catálogo da Matador para ser lançado no Brasil. Naquela época, poucos conheciam por aqui a fama da Matador como a mais promissora das gravadoras independentes americanas. Para mim foi um verdadeiro desafio convencer os diretores da Trama a representarem os caras em nosso país.

O catálogo da Matador não era pra qualquer ouvido, pois além de “cult”‘ tinha o ingrediente da música mais anarquista do final dos anos 80 que aglomerava estruturas confusas do pós punk, agregadas àquilo que convencionaram chamar de “lo-fi” (gravações rudimentares e bem distantes de qualquer mega produção). Para muitos, soava como uma anti-música, depois de toda aquela parafernália tecnológica lançada nos anos 80.

Um momento que nunca esqueço foi quando eu e esse amigo fomos ao show da Cat Power em Nova York e na segunda música ele disse: “Chega!, vamos embora! Não agüento mais esse povo brincando de fazer música ao contrário”. O mesmo aconteceu quando ele recebeu um CD do Belle & Sebastian e ameaçou jogá-lo pela janela.

É verdade, a Matador era um selo pra poucos ouvidos, os mais antenados eu diria. Na reunião para convencer o dono da Trama, para minha sorte tinha o João Marcelo Bôscoli do meu lado, que acreditava nas minhas buscas por novos selos e numa nova música. Daí , consegui convencer o André que seria importante para a Trama assinar com uma gravadora como a Matador.

Lançamos quase todo o catálogo da gravadora, foi uma ousadia, mas contrariando o que muitos pensavam, conseguimos bons resultados de vendas e acima de tudo um status de gravadora independente para a Trama que naquele momento representava um dos mais importantes selos do indie rock americano. Aquele mesmo Belle & Sebastian que meu amigo quis atirar pela janela vendeu quase 100 mil cópias. Num país em que o pagode e o axé dominavam as vendas no início de 2000, isso é uma grande façanha e mais uma prova de que existe um público interessado no rock independente.

A Matador continuou sua busca por novos talentos nessa nova era, vieram Interpol, Mogwai, The New Pornographers e pós Pavement a carreira solo de Stephen Malkmus. Nos últimos dois anos, integraram o time de artistas os veteranos do Sonic Youth, os novatos do Fucked Up, Ted Leo & the Pharmacists, Jay Reatard, Times New Viking e Cold Cave. A cada dia que passa a Matador tem sempre uma novidade para nos apresentar, é só acessar o site deles e conferir o que há de novo na cena indie.

Na semana passada, a Matador celebrou esse aniversário de 21 anos com um grande show em Las Vegas, onde tocaram Sonic Youth, Pavement, Cat Power, Superchunk, Yo La Tengo e Guided by Voices, dentre outros.

FONTE:
http://colunistas.yahoo.net/posts/5522.html

David Bowie em tributo e relançamento


Por KID VINIL

Eu pertenço a uma geração que veio do rádio, de uma época que as novidades chegavam através de suas ondas. Não é à toa que o filme da minha vida é “A Era do rádio”, de Woody Allen. David Bowie apareceu na minha vida através do rádio e a história que vou contar a seguir serviria até de roteiro para Woody Allen, se seu filme chegasse até a década de 70.

Era uma noite chuvosa em 1972 e meu contato com o mundo era o rádio de um fusquinha que pertencia ao meu irmão mais velho. Naquele momento sintonizava uma rádio paulista chamada Excelsior, onde a radialista e DJ Sonia Abreu fazia a produção de um programa apresentado por Antonio Celso, uma das mais belas vozes do rádio brasileiro. Naquela noite, Sonia escolheu dois lançamentos, eram: T Rex, Electric Warrior, e David Bowie, The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars. Durante o programa, o locutor falava sobre o lado bruxo de Marc Bolan e também sobre o personagem andrógino mutante de David Bowie em sua encarnação daquele rock star alienígena Ziggy Stardust. Aquele momento era uma revelação na minha vida, enquanto a tempestade caia lá fora, raios cortavam os céus, eu naquele fim de mundo dentro do carro com o rádio no máximo volume, não tinha muita escolha, ou desligava o rádio pra não morrer eletrocutado por um raio ou continuava naquela viagem intergaláctica com T Rex e David Bowie. Claro que resisti aos trovões e arrisquei até o final para não perder nenhum momento daquela avalanche sonora.

Esse é mais um daqueles momentos marcantes da vida que a gente nunca esquece, dada a importância de uma grande descoberta. A partir daquele instante, o mundo me abriu as portas para o espaço sideral até então ocupado por David Bowie, “O homem que caiu na Terra” (título do primeiro filme com David Bowie).

Claro que o fundo musical para esse texto, nesse momento, é o álbum Ziggy Stardust, um dos discos que mais ouvi em toda minha vida. A partir desse trabalho de Bowie comecei a vasculhar sua carreira, voltei alguns anos atrás e descobri Space Oddity, de 1972, Hunky Dory, de 1971 e o fabuloso The Man Who Sold The World, de 1970.

Logo na sequência de Ziggy Stardust ele vem com outra obra-prima do glam rock que foi Aladdin Sane, um disco diferente do anterior, onde as guitarras de Mick Ronson dominavam. Dessa vez, o guitarrista dividia com o piano de Mick Garson os arranjos que tinham até pitadas de jazz e música de cabaré. Essa fase glam de David Bowie é uma das mais fascinantes do camaleão e ainda gerou o álbum de covers Pin Ups, e depois a primeira mudança para “Diamond Dogs” onde Bowie se desliga do grande guitarrista Mick Ronson e dos Spiders from Mars e parte para experiências com novos músicos. Eu, como fã incondicional da guitarra de Mick Ronson e de seu estilo inconfundível, lamentei demais naquela época e, como todo fã da era Ziggy Stardust, custei muito para me adaptar às diversas transformações de Bowie.

Em 1975, Bowie lança Young Americans, onde ele resgatava influências do funk e da disco music, foi pior ainda pra mim… De repente, do subúrbio londrino ele foi parar em Long Island, uma mudança drástica de estilos. O auge dessas transformações veio através de um de seus discos mais criativos dessa fase, Station to Station, de 1976, onde Bowie já demonstrava maturidade e criatividade na mistura de elementos mais dançantes e ao mesmo tempo já flertava com o krautrock do Neu! e do Kraftwerk, que acabaram desaguando em sua fase Berlim em três discos clássicos: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979).

Agora, o álbum Station to Station acaba de ser relançado em grande estilo, uma versão com três CDs e uma caixa contendo 3 Lps, 5 CDs e um DVD. É claro, essas bobagens são itens de colecionadores e fãs como eu, que gastam os tubos para ter a obra completa de um artista como Bowie, no formato físico e nos detalhes de capas, encartes, faixas bônus e fotos inéditas.

Além desse item de colecionador, também está sendo lançado o tributo We Were So Turned On: Tribute to David Bowie. Essa não é a primeira vez um tributo em homenagem ao roqueiro é lançado, eu conheço pelo menos uns dez discos já lançados com bandas homenageando Bowie. É impressionante como o DNA de Bowie continua presente em cada passo de cada nova geração da música. Foi assim desde o final dos anos 70, quando o punk rock e a new wave resgataram o glamour de Bowie da maneira mais decadente possível, naquele momento de declínio do império britânico. Isso me fez lembrar do filme “Jubilee” de Derek Jarman, de 1978, que retrata bem esse momento dos filhos bastardos de Bowie. Nessa edição do NME, a nova geração, como o vocalista Brandon Flowers do Killers e Alex Kapranos do Franz Ferdinand, ressaltam a importância de Bowie nas suas vidas e na formação musical de cada um deles.

Foi por essas e outras razões que uma série de novos artistas se reuniram nesse novo tributo a David Bowie, um disco beneficente, cuja renda vai para a instituição War Child. O destaque são os novatos e promissores como Warpaint, uma banda de garotas californianas que fizeram uma releitura espetacular de “Ashes to Ashes”, que fez parte de outra obra-prima de Bowie na virada dos anos 80, o álbum Scary Monsters. Mas tem a presença de veteranos como o Duran Duran, uma das bandas da new wave e da era new romantics mais escrachadamente influenciada por Bowie.

O tributo vem no formato de dois CDs e traz também a nova geração de bandas de Nova York como Vivian Girls, A Place to Bury Strangers e Chairlift, e mais uma série de novas bandas e intérpretes da cena indie rock. Tá certo, tributos são apenas homenagens, não passam disso, pois o mais difícil é fazer melhor ou superar as gravações originais de Bowie, mas valem pela intenção.

Às vezes fica até difícil enumerar a quantidade de bandas influenciadas por Bowie, de repente me vem à cabeça Bauhaus e Japan e nos anos 90, dentre muitas, o Placebo. Bowie declarou ser grande fã do trabalho de Brian Molko e mais recentemente dos canadenses do Arcade Fire. É como alguém disse: “Bowie continua mais influente do que nunca nessa nova geração, um artista sem prazo de validade”.

FONTE:
http://colunistas.yahoo.net/posts/5373.html